domingo, 29 de dezembro de 2013

As mais queridas memórias meio esquecidas.

O que se torna quando algo fundamental muda de alicerce?
Não discute mentalmente a sua arqui-batalha?



Algo que sempre foi, que nunca é.

Deve ser como indiferença?
Gradua como algo mais brando?

E é algo pouco melhor que um bom gosto ruim.

Ex-orgão de uma ex-vida.

Nada essencial, útil como o mais querido parente morto.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O alto.

O dever de fugir das tempestades
que sempre nos alcançam
Pois deve, e nós devemos.

Jogados por ai como elos quebrados
Aguardando respostas que não deveriam vir

Achando que perdemos pessoas
para algo que nos é tão próximo

Pessoas que estão aqui
Algo que é nosso
Em uma mão eu tinha tudo.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Culpa designada.

Nomes colocados
a farpa que nos une
o roedor que há entre nós
o que há de ruir

culpa designada.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O relapso.

Ciclos que se intercedem
Argolas mágicas de dias de alinhamentos extraordinários

Círculos que intermitem
Personalidades de cargas similares milagrosamente atraentes

Dias de ventos extraordinários
Guias em veredas à lugares onde raios se repetem em alvos


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Translação cio.

Olhar de areia
Postura arranha-céu
Cabeça de dinossauro
Casca de montanha
Pose de pavão.


Hálito salino
Lapso temporal
Sons recicláveis
Sono impermeável
Belezas inexpugnáveis.


Amigos pra sempre
Ida, sono e volta.
E cia.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Coisas médias.

Desse infinito algo que se acaba incoerente
Contraditório e permissivo
Benigno à suas maneiras
Sétimo de primavera seminal.

Em outros lugares...

Eu gosto como a vida parece destacada
Em dias dourados
Felicidade sacarina
Sorrisos iluminados

Contra céus iluminados.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Setembro.

Ai vem de novo
Chuva de flores
Percepção perfumada
Versão ondulada

Não perder
Sangrando no quebra-ventos
Chorando por coisa qualquer
Respirando atenção

Que nunca acaba
Que nunca volta
Que latente
Que nunca se irá.

E vem de novo.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Solares abstinentes.

Tá tudo ótimo
Tu tá ai
Cê vem pra cá
À vontade de seu nariz
Deixa(r) de bobeira
Tudo tá bom
Nesse mundão teu que
Nos obriga a se esconder
Desse nosso sol seu.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Um com algo, um sem nada.

Ai você avança em algo, e avança em si.
Cresce, muda e erra, acerta e sente nostalgia. Como em qualquer erro e acerto, você aprende a aceitar e conviver consigo mesmo, pro bem ou pro mal, e uma dia não se reconhece mais como antes.

Antropofágico, fortaleza, saturno e recife
Sem ser lugar,
Sem sair de si, enrugado e áspero
Novo à vida como beber
Melhor assim que puder, e em contato com qualquer outra coisa.

Nada foi preciso.
E era de se esperar, eu acho. Ou, se bem que pouco provável, não me lembrava direito de algo nesse caminho que desviou a isso.
Sendo por inconstância, como uma de minhas consciências externa gosta de pontuar, ou por uma falta de força, com um quê de predisposição genética, que meu eu fatalista gosta de atribuir a si próprio ou por falta daquele interesse mágico e arrebatador que ainda não se manifestou, e talvez nunca irá, como a minha parte otimista externa ou procrastinadora interna tenta me confortar. E assim me afirmo de reafirmações mais alicércicas que o eu ego, e me acabo deixado de me acabar.



Inacabado.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Historicamente.

Atira-se, novamente no ciclo

Demência e afastamento

A falta de direção e sentido em rotina

E a raiva, e o desprazer de sua presença

Promessas e rompimentos

O apontar de dedos e o não saber porque

A razão na falta de razão, e perseverança infinita

Em nada, em mal-direção

A cisma

A crença em poucos, a fortaleza

Refortalecer-se, reconstruir

Amenizar e agradar

Indulgir, fraquejar, afastar

Voltar-se em círculos.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Título de sofrimento.

Há dias bons e ruins, ele sabe disso. Se acostumou, e sofre, e disfarça.
Nos dias bons, o pensamento só a tange ao se deitar. Nos bons de verdade, só quando nota sua própria felicidade.
E há os dias ruins, onde ela é tudo o que vê, tudo que sabe e tudo que verá.
Dias normais.
Ele sofre, esconde. Finge que não, acha que acostumou e crê que não se lembra do que feliz significa. Mente isso, diz aos poucos que sabem que não se importa.
Eles sabem, alguém tem que saber.
E os que não sabem, o dão como a pessoa mais feliz da criação e confundem felicidade e desespero.
Ele se tornou bom em mentir, precisava. Tão bom que ele quase acredita em si.
Mas ele sem lembra e sabe o que perdeu, sabe o que deixou pra trás
E ele aguenta, pois sabe.
E ele chora.







Texto escrito por meu outro eu, meu eu mais jovem, em alguma manhã de agosto de 2010.
Naqueles dias de confusões inspiradas, uma música inspirou esse texto que agora se aplica a coisas mais diversas e significados mais amplos.

Aonde eu me perdi, só piorei.
Não enlouqueci como achava, mas esse extravio acelerou esses sintomas.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Gostaria que tivesse morrido, gostaria não ter conhecido.

Espero que sinta
no ritmo da respiração descompassada,

Espero que aprenda
os porquês do nada,

Espero que veja
a verdade descreditada,

Espero que atenda
a voz desesperada,

Espero que cante
a música exasperada

Espero que ame
assim, a vida desperdiçada,

Espero que viva.




Espero que ache, em seus cadernos velhos, textos como esses
de uma juventude inacabada.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Pequeno câncer.

Se não me houvesse nada mais a oferecer-te
A não ser meu rosto familiar
Se de cem sonetos de amor
Pudesse lhe oferecer 23 de insegurança
Se me faltasse, e falta,
A obstinação de grandes amantes
E se de todos os fogos, o frio,
Não de uma ausência, mas de uma despresença
Deixo-te ir, de meio-grado
E vou-me.
Nada que te sirvo é benigno, maligno e incomodo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A pedido, conforme o planejado.

Foi em alguma tarde,ou noite, eu acho, e em algum bar qualquer, que a ideia surgiu espontaneamente como a fome que todos começavam a pensar que sentiam ao ver mesas mais abastecidas. A ideia surgiu para uma viagem, uma aventura, de início como uma fantasia ou ideia muito distante. Amsterdã, alguém gritou e foi refutado pela realidade, oktoberfest, e todos concordaram e beberam com prazer o resto de suas bebidas e riram dessa nova fantasia de viagem aventureira.

Foi perto da hora de crianças dormirem, ou mais cedo, não sei, em um dos bares de costume, que a fantasia começou a ganhar pernas e se organizar, criacionista, e passaram a estipular valores e pessoas, a melhor estação e como se proteger de adversidades e o melhor destino e se seriam meros turistas ou majestosos desbravadores boêmios. E entre um copo e outro, a fantasia transformou-se em planejamento urgente de uma experiência há muito necessária e adiada.

Foi perto da hora em que os "imorais" festejam, ou mais tarde, provavelmente, que a fadada viagem tomou forma. Forma, lugar, preço estipulado, convidados, transporte e até disposição de dormitórios, ou o que se passasse por um. Iriam acampar, mergulhar na natureza nunca desbravada essa semana. E todos iriam, dinheiro não seria problema, comida não seria problema, e bebida seria a solução. E assim estava decidido que assim seria, a comitiva e a demanda.

Foi a hora em que o galo cantava, e que os decentes iam trabalhar, que foi decidido. A fantasia tinha ido até certo ponto, a realidade os desafiava, e estava tudo decido. Local, pessoas, transportes e disposições, e haviam datas; e havia condições e prazos. Todos queria rapidez, todos queriam que não fosse fantasia, e principalmente, todos queriam que não fosse coisa de bêbados. Era, ou passou a ser, parte de suas realidades.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Malquerer é querer.

Entre o desconforto, o bolo no estômago, a acidez na garganta e respiração alterada de qualquer relação quebrada.

Entre a saudade nostálgica, abstinência, possibilidades abandonadas ou imaginadas e medo de ter-se estagnado de qualquer relação lembrada.


Preferi jogar fora do meu armário todos os esqueletos que não sorriam mais pra mim.


Aquele algo inevitável, que sempre podemos fugir.
De todas as coisa que amamos, a morte.


É fascinante quão vazio nos julgamos.